terça-feira, 4 de dezembro de 2012

O guitarrista de Bilbao

 Bilbao
Vai deambulando pela cidade. Quase todos os dias muda de lugar. Gosta muito das pequenas praças. Ou das velhas ruas. Ou dos lugares que vivem há muitos anos na sua memória. Por onde passou vezes sem conta com a sua guitarra.
Toca. Toca sempre. Infindáveis músicas dos Beatles. As mesmas que tocou vezes sem conta quando pertencia ao grupo que nascera pela paixão aos músicos de Liverpool.
Nos espetáculos, quando jovem, ouviu muitos aplausos, viu muitos braços erguidos, sentiu a vibração de muitos corpos a dançar ao sabor da música.

Muitas imagens vinham-lhe à memória enquanto tocava, agora sexagenário, nas ruas de Bilbao. Corpo alto, rosto fino, mãos longas, olhando e tocando, concentrado na guitarra. Quase não via as pessoas que passavam e abrandavam a marcha para o ouvirem. Levantava o olhar só para agradecer uma moeda que deixavam na capa da viola, aberta no chão.

No final da manhã e da tarde, recolhia o dinheiro. No dia seguinte, a sua música fazia-se ouvir num outro lugar. Sempre na mesma cidade. Não fosse ele "o guitarrista de Bilbao".

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