domingo, 29 de junho de 2014

Aconchego


Quasi



Um pouco mais de sol--eu era brasa
Um pouco mais de asul--eu era além.
Para atingir, faltou-me um golpe d'asa...
Se ao menos eu permanecesse aquém...

Assombro ou paz? Em vão... Tudo esvaído
Num baixo mar enganador d'espuma;
E o grande sonho despertado em bruma,
O grande sonho--ó dor!--quasi vivido...

Quasi o amor, quasi o triunfo e a chama,
Quasi o principio e o fim--quasi a expansão...
Mas na minh'alma tudo se derrama...
Emtanto nada foi só ilusão!

(...)
         Mário de Sá-Carneiro

sábado, 28 de junho de 2014

CR7 e as composições


Ao longo do ano letivo, dei comigo a escolher como exemplo atual de trabalho persistente o Cristiano Ronaldo.
Neste Mundial de Futebol, para qualquer leigo como eu, foi notório que o “melhor jogador do mundo” aparecia sempre como a menina dos olhos da Comunicação Social. Chegava a irritar. Os outros jogadores, por melhor ou pior que fizessem, eram sempre chutados para canto.
Porém, nos nossos dias, em que muitas pessoas são quase ídolos sem se saber sequer o que fizeram de útil na vida e o que as catapultou para a fama, o caso de Ronaldo é, pelo menos, um exemplo de alguém que se impôs por uma vontade forte, para além do indiscutível talento.
Embora conheça a sua vida de forma muito superficial, parece-me que o estímulo familiar também deve ter sido fundamental. Logo, a junção de trabalho pessoal e o facto de o núcleo familiar valorizar fortemente a sua vontade podem ter sido uma das chaves do sucesso. Depois da obra feita, esta fórmula parece simples, mas o processo nem sempre é linear e fácil. Pelo caminho, há frequentes desistências, o que não foi o caso.
Vem tudo isto a propósito de o CR7 ser citado em muitas aulas, no sentido de mostrar a muitos jovens que o esforço é crucial para que os bons resultados surjam. E os alunos, que absorvem muito mais do que os adultos julgam, referem, nas suas composições, a ambição do jogador, o que o levou a trabalhar arduamente ganhando o estatuto que toda a gente conhece.
Para além de muitos excessos, venham mais exemplos de pessoas que vão deixando marcas pelo seu próprio pé.
O mundo, e nomeadamente Portugal, anda a precisar de os descobrir.

quarta-feira, 25 de junho de 2014

Há frases que também unem

Catalina Aylwin


Nos últimos dias, a mãe da Maria João agradeceu às numerosas pessoas que se ligaram à causa "Unidos por Mary". Felizmente os resultados dos exames médicos são otimistas.

Do texto de agradecimento, destaco a seguinte passagem:

Termino com esta frase da conta de Facebook "Unidos por Mary" gerida por uma amiga da minha filha:
 
"Que nos apoiemos uns aos outros nos momentos de aflição e que nos abracemos com alegria nos momentos de vitória."

segunda-feira, 23 de junho de 2014

O S. João viu a bola



Ó meu rico S. João
Dá-nos tu algum alento
Mas sem perdas nem empates
Já nos basta o Paulo Bento

No Porto irá chover
E pelos vistos trovejar
Lá no Brasil talvez
Podem os jogadores descansar

Em Manaus o calor era muito
E o cansaço também
Ganham tão pouco e a vida é tão dura
Só falta chamar a mãe

Quero fazer-te uma pergunta
Como santo saberás
Ninguém fala dos demais jogadores
Só o Ronaldo era capaz?

Ó meu rico S. João
Não nos deste uma alegria
De ver Portugal ganhar
Antes da celebração do teu dia

Eu não te quero maçar
Devem ser tantos os pedidos
Mas ajuda-nos a ganhar
Sem falar da seleção
Que terá Portugal no coração
Mas ajudou a completar
O que há muito se vem a esboçar:
A lista de perdas de uma pequena-grande Nação!



sábado, 21 de junho de 2014

Para bandeirinhas de S. João (?)




Ó meu rico S. João
Ó meu rico S. Joãozinho
Dá a todos saúde e amor
Sem esquecer o dinheirinho

És um alegre santo
E mesmo assim és muito rico
Porque espalhas alegria
Com perfume a manjerico

É regar e pôr ao luar
Diz o povo e com razão
O manjerico aquece os sentidos
Como a sardinha faz ao pão

As crianças olham alegres
Para os balões a subir
Olham para a sua luz
Sem pensar que vão cair

Ó meu rico S. João
Eu não sei o que dizer
O país anda prà frente
Ou está a retroceder?

A erva cidreira espera
Ir dançar no bailarico
Também sabe fazer festas
Não é só o manjerico

A Troika trocou as voltas
E tantas trocas (des)fez
Os que só recebem trocos
Decidem partir de vez

Eu gosto do S. João
E da festa que ele traz
Parece muito inocente
Mas é crítico e mordaz




Aquele balão vai subindo
Parece ter asas e voar
Mas a lua vai pensando
Que a si não pode chegar

O martelinho bate bate
E dá cor a muitas ruas
E quem com ele bate
Também vai fazendo das suas

A sardinha assada na brasa
No S. João não pode faltar
Saborosa e gordinha
Põe-se na broa a pingar

Ó meu rico S. João
Andamos desanimados
Traz-nos mais animação
Mas sem salários cortados

Vou-te fazer uma pergunta
Ó meu rico S. João
Se aqui manda Portugal
Ou se é o governo alemão

Se eu te soubesse dizer
O que da alma me não sai
Ó meu rico S. João
Até darias um ai

Nas ruas do Porto a folia
Começa cedo a crescer
E só quando nasce o dia
É que começa a morrer

Andam dúvidas nos portugueses
Mais do que balões no ar
Se é mentira ou verdade
O que se ouve jurar