domingo, 28 de setembro de 2014

Para quando o Dia da Lembrança?



Eu acho que deveria haver o Dia da Lembrança. Mas não me refiro ao souvenir, nem à “recordação” que gostamos de trazer para a família e amigos, muito embrulhadinha, de sítios distantes que visitamos. Não, nada disso. Para mais, os dinheiros vão sendo poucos. Seria o Dia da Lembrança Completa e Verdadeira.
Juntavam-se as perguntas que, por direito, se fazem a ministros e às quais, por dever, teriam de responder. Seria uma espécie de máquina da verdade, mas sem máquinas nem aparelhos complexos a forjar argumentos para o motor andar em busca de novas peças.
Não sei se me faço entender.
Por exemplo, nesse Dia da Lembrança, perguntava-se a um ministro:
Senhor Doutor (eles gostam, embora alguns não sejam doutores), o Senhor (convém escrever com letra maiúscula) declarou os seus vencimentos ao Fisco?
Convém não acrescentar “como nós, os cidadãos comuns”. Eles não gostam, chamam-nos piegas e mudam habilmente de assunto.
Ora, nesse Dia, se o Sr Ministro dissesse que não sabia, que não se lembrava, que não tinha presente, que de certeza que sim porque sempre assim faz, que tem a consciência tranquila, que vai entregar o caso a quem de direito, que tem de ter tempo para pensar porque é remediado, mas não rico em todas as memórias e outras generalidades, mesmo que fossem ditas em tom pausado e sério, revelador do “sentido de estado” - tão apreciado pelos políticos (às vezes fecham os olhos como se estivessem a cantar um fado aos pobres cidadãos) - haveria um sinal revelador de que o que estava a ser dito era só para encher salsichas (O Sr 1º Ministro falou delas a propósito da Educação).
Não sei muito bem como esse sinal poderia ser emitido, mas o projeto seria entregue, por concurso alargado (não só a familiares e amigos), com regras e fórmulas claras, o que faria com que o número de licenciados que emigram também fosse menor.
Pois, se tal acontecesse, os políticos com grandes esquecimentos tinham de apresentar um atestado médico como padecem de uma doença que lhes afeta a memória. E disso eles não gostam, porque apregoam que nunca estão cansados, que estão sempre preparados para o que der e vier, “que não têm dúvidas e raramente se enganam”…
Vá lá, é só um dia. Ainda restam mais de 360 para continuar a mentir!

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