sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Diário de Mariana - Voltei!

Almeida Júnior
Querido diário,


A tia Clarinha disse-me há dias: "Então, Mariana, guardaste o teu diário? Estás de castigo e a tua mãe não te dá espaço?"
Devo dizer que até corei, porque me lembrei do raspanete que ouvi da minha mãe por não ter tido melhores notas. Até nem foram más, mas as mães têm a mania que temos de ser os melhores. Eu, no fundo, até nem me importava nada de ter notas tipo 18. Do que eu não gosto nada é quando me dizem: "A Mariana é tão simpática". E não falam de outras qualidades. Parece que existo só por fora. Tenho de me controlar para não me passar. Eu tenho algum stress, mas como sorrio com frequência, ninguém liga ou dizem-me logo: "Isso passa, Mariana!". Fogo!
Por falar em stress, eu disse à minha mãe que gostava de ter um coração anti-stress, porque a Bia e muitos colegas também têm e assim ficam mais calmos nas aulas. A minha mãe olhou para mim e disse-me que era ela que estava a ficar com stress e que lhe caía o coração aos pés se eu continuasse. E ainda veio com ameaças: "E se souber pela tua diretora de turma que estás a fazer outras coisas na aula, a gente conversa".
Quando a minha mãe diz "a gente depois conversa",  já sei que vai haver ralhete, mas por acaso não é por isso que não tenho escrito o diário. Eu vou dizer, embora me custe: no fundo, sou um bocadinho preguiçosa. Estou sempre ocupada, mas ficam sempre coisas por fazer, por acabar e isso... Portanto, se calhar, tenho um bocadinho de preguicite aguda.
A Bia consegue ter tudo em dia, mas anda sempre com o coração anti-stress no bolso! A minha mãe diz-me sempre: "Vês, a Bia consegue subir as notas cada vez mais!"
 Não acho bem  estas comparações, apesar dela (ou de ela? Nem sei, acho que na próxima aula, vou perguntar à setora de português) ser a minha melhor amiga. Cada qual é como é e cada um tem o seu valor.
Obrigada, tia Clarinha, por me ter dado a dica. Vou tentar organizar-me um bocadinho melhor para continuar o meu diário. Prometo (esta palavra fez-me lembrar os atos de fala que estudámos há pouco). Com coração e sem stress. Ok?
Abracinhos
Mariana
PS -  Já não vejo o Gi há uns tempos,  mas não me apetece falar do assunto agora. Pode ser que na próxima "conversa" já me tenha passado a onda. Será?

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

O raminho de violetas


Um post revisitado


Diante de mim, estava um raminho de violetas.  Olhei-as, peguei nelas, senti-lhes o perfume e,  enquanto as punha na água, revi imagens passadas. 

Em ruas do Porto, perto do mercado do Bolhão, havia vendedeiras de violetas. As belas flores miudinhas estavam em pequenas cestas, arrumadas em raminhos, e atraíam os transeuntes, sobretudo os namorados. 
Lembro-me que  também as recebi. Quero crer que foi por amor.




terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

Depus a máscara

Depus a máscara e vi-me ao espelho. —
Era a criança de há quantos anos.
Não tinha mudado nada...
É essa a vantagem de saber tirar a máscara.
É-se sempre a criança,
O passado que foi
A criança.
Depus a máscara, e tornei a pô-la.
Assim é melhor,
Assim sem a máscara.
E volto à personalidade como a um términus de linha. 


Álvaro de Campos (
Heterónimo de Fernando Pessoa) in Poemas,



 Máscaras de Lazarim

domingo, 15 de fevereiro de 2015

Carnaval

Máscaras de Lazarim (Lamego)

Caretos de Podence

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

Com Amor na Expressão

(Im)Perfeições do Amor




Nós temos cinco sentidos

Nós temos cinco sentidos:
são dois pares e meio de asas.

- Como quereis o equilíbrio?
David Mourão Ferreira








Paula Rego
Dórdio Gomes

As sem-razões do amor

Eu te amo porque te amo,
Não precisas ser amante,
e nem sempre sabes sê-lo.
Eu te amo porque te amo.
Amor é estado de graça
e com amor não se paga.

Amor é dado de graça,
é semeado no vento,
na cachoeira, no eclipse.
Amor foge a dicionários
e a regulamentos vários.

Eu te amo porque não amo
bastante ou demais a mim.
Porque amor não se troca,
não se conjuga nem se ama.
Porque amor é amor a nada,
feliz e forte em si mesmo.

Amor é primo da morte,
e da morte vencedor,
por mais que o matem (e matam)
a cada instante de amor.
Carlos Drummond de Andrade

Canção do amor-perfeito
 
Eu vi o raio de sol
beijar o outono.
Eu vi na mão dos adeuses
o anel de ouro.
Não quero dizer o dia.
Não posso dizer o dono.

Eu vi bandeiras abertas
sobre o mar largo
e ouvi cantar as sereias.
Longe, num barco,
deixei meus olhos alegres,
trouxe meu sorriso amargo.

Bem no regaço da lua,
já não padeço.
Ai, seja como quiseres,
Amor-Perfeito,
gostaria que ficasses,
mas, se fores, não te esqueço.
Cecília Meireles

Pedro Calapez