quinta-feira, 27 de julho de 2017

Dead Combo - Sem assobiar para o lado

Jacques Brel - Tous les ports

Adieu, Barbara!

Como se tivesse tempo de lá ficar

Ou são coisas urgentes a tratar, ou são afazeres que não se podem adiar, ou são pequenos consertos que têm de ser feitos, ou é o apoio necessário aos familiares mais velhos... os dias passam a voar. E se voam. 
E quase que nem há tempo para desfrutar um pouco do tempo, do sol e também do vento que, nos últimos dias, tem soprado às vezes quente (nada bom para os incêndios que não param), outras vezes bem fresco com a interferência da proximidade do mar.
Pois, tenho um livro que não avança, um trabalho que não desenvolve, o meu blogue onde não tenho vindo e que também me faz falta e vários etecetras que os seres comuns como eu e que tenham a vida comum como a minha bem conhecem.
E a propósito do blogue, é fascinante registar que vai havendo tempo para visualizações em diferentes países do mundo, para além de Portugal. Maravilha das novas tecnologias. 
Não conheço os rostos, não conheço as idades, sei apenas que estas simples mensagens são lidas perto e bem longe. E, da minha parte, é motivo para muita e serena alegria. E deixem-me dizer obrigada porque todas estas pequenas coisas me fazem feliz.
Mas lá está o relógio a dizer-me que está na hora de telefonar porque a tarefa é urgente.
Antes, porém, vou abrir a janela como se tivesse tempo de lá ficar.








sexta-feira, 21 de julho de 2017

E ainda não víamos a Glorinha à janela

Salvador Dali
Quando eu era miúda, viam-se mais pessoas à janela do que agora, pelo menos na minha aldeia. Muitas dessas janelas estão agora sem ninguém e não raramente em ruínas.
Quando as olho, parece que ainda vejo essas pessoas. Talvez recolhessem, com os olhos, motivos que lhes alimentavam mais gostosamente os dias: quem passava e com quem passava; palavras que o ar deixava ouvir; o que os vizinhos faziam e como faziam... E tudo regalava a vista como quando procuramos o mar para nos lubrificar a alma.
Algumas dessas pessoas - sobretudo mulheres - apoiavam os braços no peitoril das janelas e ali ficavam muito tempo quando a lida da casa o permitia e era preciso um pouco mais de ficção nas suas vidas.
Também havia homens à janela, embora fossem mais raros. Lembro-me de um que passava uma boa parte das manhãs de sábado à janela. Ajeitava-se aos peitoris, tal como as mulheres, e ia virando o rosto para a esquerda e para a direita, consoante as imagens que queria observar.
Outra mulher havia que - dizia ela - tinha de saber o que se passava para contar ao marido que trabalhava em casa e raramente saía. A janela era uma espécie de jornal local.
Era o tempo de canal quase único de televisão. E ainda não víamos a Glorinha, a da telenovela Gabriela, também à janela à procura de ver fora ou o que não podia encontrar dentro.
 Agora, o tempo não dá para ser passado à janela e as televisões substituem-nas com muitas imagens tão coloridas como ruidosas para quem está em casa.
Quando passo, sobretudo a pé, e ainda vejo alguém à janela, saúdo com um sorriso, como se o tempo não tivesse fronteiras.

Pequenas-grandes janelas


Imagem da net
A arte de ser feliz

Houve um tempo em que minha janela se abria
sobre uma cidade que parecia ser feita de giz.
Perto da janela havia um pequeno jardim quase seco.
Era uma época de estiagem, de terra esfarelada,
e o jardim parecia morto.
Mas todas as manhãs vinha um pobre com um balde,
e, em silêncio, ia atirando com a mão umas gotas de água sobre as plantas.
Não era uma rega: era uma espécie de aspersão ritual, para que o jardim não morresse.
E eu olhava para as plantas, para o homem, para as gotas de água que caíam de seus dedos magros e meu coração ficava completamente feliz.
Às vezes abro a janela e encontro o jasmineiro em flor.
Outras vezes encontro nuvens espessas.
Avisto crianças que vão para a escola.
Pardais que pulam pelo muro.
Gatos que abrem e fecham os olhos, sonhando com pardais.
Borboletas brancas, duas a duas, como refletidas no espelho do ar.
Marimbondos que sempre me parecem personagens de Lope de Vega.
Às vezes, um galo canta.
Às vezes, um avião passa.
Tudo está certo, no seu lugar, cumprindo o seu destino.
E eu me sinto completamente feliz.
Mas, quando falo dessas pequenas felicidades certas,
que estão diante de cada janela, uns dizem que essas coisas não existem,
outros que só existem diante das minhas janelas, e outros,
finalmente, que é preciso aprender a olhar, para poder vê-las assim.
Cecília Meireles

quinta-feira, 13 de julho de 2017

Flores de julho!


Romantico, ma non troppo!

Bye, London!

Estive uns dias em Londres. Dias quentes e com muito sol. Os ingleses aproveitam-no bem porque não abunda durante largos meses.
As noites amenas também enchem ruidosamente esplanadas, sobretudo em vésperas de fim de semana.
Da nossa janela, ao fim da tarde, começava a ver-se melhor a lua, para grande alegria da Clarinha que a procurava no céu e muito contente ficava quando a descobria.
Gosto de Londres e da preenchida pacatez dos arredores, do pulsar da vida comum cosmopolita no supermercado, no talho, na padaria, nas igrejas, no metro, na rua, no mercadinho de produtos hortícolas ao sábado de manhã, no infantário onde a minha neta brinca com meninos de diferentes nacionalidades, no pequeno museu com um grande jardim, nos parques...
Mas, por cá, há muitos afazeres também. E outras obrigações familiares.
Para já, bye London!
See you soon (I hope)!

Da janela, via-se a lua!